Não sei muito bem explicar, mas saudade... Não sei de que, não sei porque...
Teve um tempo em que as coisas eram diferentes, talvez mais fáceis, talvez não, a percepção mais fácil depende do momento em que se vivencia a situação, tudo é difícil no momento em que se está dentro da situação...
É... difícil explicar... o problema é que tudo passa... os anos passam, as pessoas esquecem...
Os anos passam, as situações tornam-se cômodas e a rotina... O que se faz com a rotina? Acordar todo o dia para trabalhar no mesmo lugar, ver as mesmas pessoas, ir na mesma faculdade, estudar a mesma coisa, exercer a mesma profissão, cozinhar, comer... Acordar, estudar, almoçar, trabalhar, estudar, comer, dormir... Acordar, estudar, almoçar, trabalhar, estudar, comer dormir... Inúmeras vezes a mesma coisa...
O pior de tudo é quando você já faz tudo no automático, a sua vida já é uma rotina automática e você passa a ser invisível... Automática para você, automática para aqueles que estão nessa mesma rotina com você... Tudo tão automático que coisas banais, sim confesso, mas que faziam ser menos rotina, deixam de fazer parte da sua vida... E quando se olha no espelho, sei lá, quase não se reconhece a imagem que nos olha de volta...
E quantas vezes eu me pergunto, quando eu me tornei invisível, quando eu me tornei tão insignificante que minha vida me tornou uma automação que me tornei mera operadora da minha vida, expressão que tanto execro quando se trata de falar em "operadores de direito", eu sou mera operadora da minha vida, faço algo mecanicamente...
Ainda a inevitável voz que sempre grita na minha cabeça que eu nada consigo, que eu nada consegui, que de mim zomba porque a criança ainda tenta, e tenta sem nem esforçar-se, por falta de tempo, por falta de disciplina, por falta de habilidade, por falta de sei lá quantas coisas, mas acima de tudo por falta de capacidade... Porque com tanta oportunidade, não consegue transformar em possibilidade, criança que não sai do lugar...Criança que sonha, mas que tem seus sonhos sempre tão longe de serem alcançados... Porque simplesmente não consegue... nunca vai ser boa o suficiente para conseguir...
Não foi capaz....
Saudades... saudades das coisas que não voltam...
Infelizmente as coisas seguem um rumo na vida e um dia até Alice tem que crescer...
Mas por enquanto, me escondo aqui, in the rabbit hole...
um tanto triste... pessimista...
ResponderExcluirA mim, parece que é o que todo mundo sente vez ou outra.
Outro dia estava assistindo "Provocações", na TV Cultura, e a Marisa Orth (que era entrevistada) falou algo que achei bem interessante (apesar de não gostar dela). Foi algo sobre nenhum um de nós ser maravilhoso nem terrível, e que ela teria conseguido lidar com o fato de que é, como todos, medíocre. Achei interessante porque parece que há um sentimento geral da nossa geração de querer algo extraordinário. Talvez seja efeito dos muitos filmes hollywoodianos... esse certo complexo de aventura e heroísmo. A vida é outra coisa!!!
Lembrei agora do OVA do Kenshin... invejo a capacidade dele de viver bem aquela vida de mercador de remédios, agricultor de subsistência, enquanto está escondido. É que me parece ele é realmente feliz...
Beijos
Amo-te!